O percurso começa em Alcobaça, no Mosteiro erguido pela Ordem de Cister que adaptou os contos pagãos da Demanda do Graal segundo os preceitos das virtudes cristãs. Este é também o primeiro templo gótico em Portugal e lembra a abadia de Uter Pendragon, onde Galaaz fez a vigília e conheceu a sua missão. Prossiga para o Campo militar de Aljubarrota, palco da batalha em que D. João I venceu os castelhanos garantindo a independência de Portugal, tal como em Ginzestre, Lancelot derrotou o Rei Lionel. O Mosteiro de Santa Maria da Vitória celebra esse feito extraordinário numa arquitetura sublime, que tem o seu expoente nas Capelas Imperfeitas.
Continue por cenários que podiam ilustrar contos de cavalaria. É assim o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros que lembra a Terra Foraia com lagos que aparecem e desaparecem como o Polje de Minde, e antros profundos nas belíssimas grutas. Já o Castelo de Almourol, inacessível numa ilhota no meio do rio Tejo, foi um importante bastião defensivo da Ordem do Templo e palco imaginário de lendas de gigantes e donzelas.
Dedique o segundo dia a Tomar, cidade repleta de símbolos esotéricos. No Convento de Santa Iria repare na imagem que a evoca no local do seu martírio. Na base procure uma figura conotada com o Rei Artur, um touro que olha para norte em direção à constelação do Boieiro onde cintila a estrela Arcuturus. Na Igreja de Santa Maria do Olival, panteão templário, descubra signos de Salomão e estrelas de David. Esta seria a Ermida da Oliveira Vermelha cenário das visões proféticas de Galvão e Estor.
A cerca de 30 kms conheça a Torre atalaia de Dornes - o “castelo estranho” da amada do cavaleiro Dalides. Mais perto de Tomar existe uma piscina natural em forma de taça com o nome de “Agroal”, cujas letras colocadas por outra ordem formam “O Graal”. No centro da cidade veja a roda do Rio Nabão que lembra um selo rodado do 1º Rei de Portugal, D. Afonso Henriques no qual se lê “Portugral”. Seria este o “Porto do Graal”?
Visite a Mata dos Sete Montes, o “Jardim de Urganda”, e descubra a Charolinha no meio da vegetação frondosa. Suba a encosta para visitar o castelo e o Convento de Cristo. O conjunto reproduz o traçado dos muros de Jerusalém com o Santo Sepulcro no interior, e a Igreja Manuelina copia o Templo de Salomão nas proporções. A Charola, belíssima em forma de círculo, onde os cavaleiros templários assistiam à missa, rodeia o altar, uma távola redonda. Este poderia ser o Paço Espiritual onde a taça sagrada se manifestou e será o culminar deste roteiro, uma demanda em que o “Graal” não terá a forma de cálice, mas sim da descoberta de paisagens e monumentos deslumbrantes.
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